porque odiávamos os hipsters antes mesmo deles existirem OU hipsterception

rodinha de amigos, todo mundo curtindo umas ideias meio aleatórias e de repente o tópico cai em cinema/música/teatro/literatura/moda… terreno perigoso! isso, claro, por causa dos nossos gloriosos baluartes da cultura retrô, aka…

os HIPSTERS!

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quando um hipster começa a poluir a conversa com seu jeito cool

se você conhece algum hipster, provavelmente já sabe do que estou falando; mas – e eu disse mas – se você ainda não conheceu um, o inmfc dissecará um espécime do grupo detalhadamente no post de hoje!

vamos às premissas, portanto:

hipster… ou mendigo?

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kit inicial do “meu amigo e eu montamos um concept pub na área nobre da cidade ” ou “eu sou barman – mas tenho vergonha de assumir isso nessas palavras porque não soa tão descolado”

sim, muitos dirão que estou exagerando na dose – e talvez eu realmente esteja sendo radical aqui; o que vale, no entanto, é o enfoque grosseiro mesmo na caracterização do hipster;

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eu juro que paro depois dessa

vamos lá: um hipster é um sujeito que idolatra sua desvinculação com a cultura vigente, vangloriando-se da sua (pretensa) erudição enquanto passa uma imagem de agente da contracultura… OU, em suma: geralmente um sujeito de classe média/classe média alta que consegue custear com o dinheiro dos pais um estilo de vida pautado sobre a mesma moda que, paradoxalmente, tanto rejeita;

começamos a encontrar os primeiros hipsters lá no final da década de 2010 (pois é, isso soa estranho – eu sei!), com um grupelho de rapazotes e garotas que decidiram reviver os cadáveres de audrey hepburn e james dean, concedendo-lhes um exacerbado status cult que, vá lá, nem é para tanto (sou muito mais um al pacino e uma michelle pfeiffer – que permearam a minha geração com ótimos filmes e que representam, eles sim, uma cultura muito mais condizente com o mundo “real” não-hipsteriano em que vivemos);

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“mas a audrey foi um ícone da…” FUCK OFF!

depois que os primeiros hipsters definiram o que seria canônico em seu culto retrô, um visual todo elaborado montado a partir de recortes da moda entre as décadas de 40-90 foi esquematizado – o que, junto ao vocabulário e ao “refinamento” artístico fariam deles um grupo totalmente avesso à cultura vigente do hip-hop, da hiperssexualização e dos blockbusters da época;

mas, paradoxalmente à vontade inicial de serem os “excluídos por escolha própria”, os hipsters não só foram incluídos à sociedade como tornaram-se, vejam só, mainstream quando a indústria percebeu que havia naquele nicho um grande potencial mercadológico: assim, músicos desconhecidos foram tirados de seus pubs baratos para gravarem com as gigantes sony e warner – com seus repertórios ralos como sopa de hospital, em revisões porcas de nomes como velvet underground, bob dylan, stones e beatles; filmes desconhecidos (e, vá lá, chatinhos pra cacete!) com narrativas complexas passaram a ser obrigatórios para qualquer amante da sétima arte (estou falando de você mesmo, rede social!); peças de teatro completamente nonsense ganharam culto imediato por suas pretensas “interpretações abertas” (como aquela em que os atores enfiavam os dedos no cu uns dos outros enquanto dançavam uma ciranda… não acredita? tá aqui o link!); e por aí vai…

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“ain, mas que reclamão loser você é!” – o choro é livre, rapaziada!

o que não só me chateia, como também chateia metade do mundo, é que somos obrigados a aceitar o pretenso fato de que somos “insensíveis” e “ignorantes” ao panteão de deuses/feitos da cultura hipster; somos forçados a acreditar que para sermos “cultos” precisamos adorar amélie poulain e seus filtros quentes; assumir que os beatles nunca compuseram uma música ruim; ou mesmo acreditar que para assistir ao novo filme da marvel é preciso ler todos os 187 volumes da HQ do personagem em questão;

sério, isso é chato pra caramba…

por isso que quando meus amigos me apresentam alguém dizendo “nossa, você precisa ver, fulan@ entende tudo de cinema, quadrinhos e música” eu já fico com um pé atrás!

só porque alguém é considerado “descolado” é preciso gostar dele?  sou obrigado? não sou – obrigado!

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simples assim

enfim, caríssimos e caríssimas, se vocês também sentem um incômodo quando um espécime desses acaba entrando na rodinha de conversa naquela sexta marota que era para ser divertida – e que invariavelmente acaba ficando insuportável -, deixe seu comentário aí embaixo! escrevi o post de hoje pensando nas (muitas!) pessoas que pensam da mesma forma mas que, devido ao medo se sentirem-se excluídas, acabam deixando as próprias opiniões de lado para servirem a esse exército de homens barbudos e garotas com cabelos de vovós que só sabem ditar regras e mais regras…

hey, hipsters, queria só dizer umas coisinhas aqui: amélie poulain é um porre; revolution 9 e wild honey pie são dois lixos musicais dos beatles, e ninguém mais tem tempo livre para ler esses “gibis de adulto” da marvel porque, enquanto vocês podem se dar ao luxo de passar o dia inteiro em casa vadiando (e cabulando as aulas da “facul” para ir “curtir com a galera no dce”), no mundo real as pessoas precisam trabalhar para pagar aluguel, prestação da casa e colocar comida na mesa!

pronto, falei – e eu vou embora antes que eu fique louco com esses hipsters!

inmfc

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