como uma transa pela metade: conheçam o tame impala

daí você está lá sem um som novo para ouvir há algum tempo e começa a garimpar o youtube; a premissa é boa: procurar por bandas com um som diferentão para, quem sabe, descobrir a sua nova banda predileta;

o youtube tenta te atacar com enxurradas de sugestões da vevo, com aquelas bandas de nomes genéricos tipo “the tangerines” ou “eric and the closet people”, mas você resiste bravamente e vai esquivando dessas bandas de indie rock genéricas até finalmente conseguir encontrar uma banda que parece legal: tame impala;

é, parece legal, porque de legal mesmo só tem a aparência! 😦


mas qual é a dos caras?

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lsd seria uma resposta válida, como vocês podem ver

vamos lá: o tame impala é uma banda australiana formada em 2007 que toca um rock psicodélico;

a ideia aqui é meio que revisitar aquele som da década de 60-70 com ênfase na psicodelia, e fica clara a intenção da banda de soar como os beatles logo de cara: do vocal ao experimentalismo instrumental, a impressão que dá é que você está ouvindo uma sobra interminável do “white album” com um quê de “sgt. pepper” – o que, acreditem, não é um elogio;

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como o tame impala seria se fosse uma gif

primeiro porque beatles é e sempre será uma banda overrated – uma vaca sagrada do panteão musical hipster-cult que por gerações indizíveis sempre foi imune à crítica; assim sendo, quando tame impala faz aquela pose de “mamãe, quero ser john lennon”, fica claro que o tom é pretensioso, genérico e por muitas vezes insuportável;

exemplo prático: sabe quando a música começou estranha, mas de repente vem aquela parte que fica super legal (mesmo estranha!), e você pensa “pô, o pior é que ficou legal!”? mas daí você continua ouvindo a música, que estava indo bem, e depois do segundo refrão começa a ficar cada vez mais estranho, com progressões cacofônicas, excesso de distorção, vozes no fundo, batidas meio “voduzísticas”, e uma looooooooonga sessão de repetição que se prolonga por quase dois minutos, e quando você percebe já está pulando a música? pois bem, esse é o caso aqui!

segundo: é possível revisitar e homenagear sem perder a identidade do próprio som; o problema é que o tame impala não quer isso, e quando você percebe que ouviu 15 segundos de algo genuinamente autoral a música descamba pra uma orgia de efeitos e reverberações incômodas que logo te fazem, mais uma vez, pular a música;

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você fica com aquela constante sensação de “pra quê essa parte, jovens? a música estava indo tão bem…”

quando a banda decide parar de chupar o picolé de lsd sorumbático dos beatles, descamba para um indie rock sem vergonha com elementos de shoegaze e música eletrônica (ruim, por sinal): as referências viram black keys e, mais acentuadamente, arctic monkeys – mas são referências longe, mas muito longe do tame impala, porque não há nada da genialidade do som do keys ou dos monkeys;

mas mais uma vez o tame impala escorrega feio e entrega músicas com melodias repetitivas e cansativas – e confesso que teve momentos em que cheguei à conclusão de que certas músicas eram uma espécie de grunge cheio de efeitos, porque estava há horas ouvindo os mesmos acordes e progressões chatas;

a questão é que eu queria gostar do tame impala – e afinal, quem não iria querer? você olha para as capas de cd’s dos caras e fica maravilhado com a arte deles – e preciso fazer um adendo aqui: o pessoal por detrás do conceito visual da banda está de parabéns, porque você realmente compra um conceito de som vendo as artes dos cd’s dos caras!

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as capas dos cd’s são maravilhosas!

mas ao mesmo tempo preciso dizer que sou um cara muito, mas muito chato pra música – e qualquer exagero ou referência deslocada numa música é o suficiente para me deixar irritado! no entanto… ainda assim eu ouvi todas – TODAS – as músicas do tame impala, só para me certificar de que não estava sendo injusto com o som dos caras…

mas não houve jeito: não consegui nem montar um “top 10” da banda, porque em meio à sua discografia caótica pouquíssimas músicas conseguiram realmente me chamar a atenção – seja por funcionar no quesito “homenagem”, ou por trazer uma bagagem autoral realmente interessante (embora, infelizmente, mal explorada);

(em tempo: com um bom produtor musical tenho certeza de que essa banda faria um puta cd lendário no gênero psicodélico!)

segue abaixo, portanto, o “top 7” do que foi possível garimpar da banda:

♬ skeleton tiger

♬ slide through my finger

♬ feels like we only go backwards

♬ elephant

♬ the bold arrow of time

♬ i don’t really mind

♬ remember me (nota: é um cover, mas ainda assim ficou bom)

o restante é masturbação musical disfarçada de “genialidade”, em jams intermináveis que só são tragáveis com um chá de cogumelos daqueles bem fortes!

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mais ou menos o que foi ouvir a discografia inteira do tame impala

mas como eu não estou na vibe para chás de cogumelo, vou ficar aqui com o meu café enquanto continuo o meu garimpo musical no youtube…

inmfc

3 comentários Adicione o seu

  1. AntimidiaBlog disse:

    Cruel com os caras……..o que não poderia ser dito do Pheonix?…….haehaehaheaheha……….explorar o SoundCloud pode ser mais proveitoso……….haehaheah…………….

    Curtido por 1 pessoa

    1. Phoenix é outra banda que é meio dura de engolir numa primeira passagem! Vale a análise para outro post, haha! Quanto ao SoundClound, falava dele no sábado com a minha noiva sobre como a plataforma perdeu o sentido original… Acabou prateada de covers e versões synth meio estragadas das músicas originais, huahuahua! Mas posso estar falando (outra) bobagem, porque não sei como a plataforma anda hoje em dia…

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      1. AntimidiaBlog disse:

        Precisa de muito garimpo, mas ainda esconde boas surpresas……….haehaehahea……….

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