discografia comentada: black rebel motorcycle club

certa vez, naquele período inóspito comum entre o último disco de sua banda favorita e a descoberta de um novo som que te faça a cabeça, estava eu a perambular pelos abismos musicais do youtube (sempre ele!) quando cheguei à conclusão, inócua, de que estava cansado dos incontáveis clones de bon iver e seu exército de homens barbudos: precisava olhar para o outro lado;

foi então que uma amiga sugeriu uma música de uma banda que eu até então desconhecia: era “spread your love”, do black rebel motorcycle club;

pronto, meu garimpo musical do ano havia valido a pena!

brmc: quem, quando, e onde? e vale a pena?

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marra + competência: aprendam com os caras, tame impala!

o embrião da banda surgiu em 1998, quando a banda respondia pelo nome de “the elements”, sendo que só rebatizaram a banda com o nome da gangue de motoqueiros de marlon brando quando descobriram que havia outra banda com o nome de the elements rodando por aí;

composto inicialmente por uma dupla de amigos, o baixista robert levon been e o guitarrista peter hayes (que havia composto uma encarnação da banda “the brian jonestown massacre” – que futuramente receberá um post dedicado), a banda contava também com a conturbada presença do baterista nick jago, que volta e meia abandonava a banda quando lhe dava na telha – até que por fim foi oficialmente demitido da banda e substituído por leah shapiro, que eventualmente deu uma nova pegada ao som dos caras;

quanto ao estilo do som dos caras: a banda incorpora elementos de rock tradicional com folk, rock psicodélico e shoegaze (sim, aquele estilo autista popular nos anos 80); mas o melhor é que a banda sabe dosar a psicodelia sem tornar as músicas inaudíveis para ouvintes sóbrios (com a exceção do bizarro the effects of 333, que, pessoalmente, acho uma viagem masturbatória descartável);

em um resumo sem vergonha, esta é a banda; mas todos nós sabemos que o que realmente interessa é o som, e por isso, sem maiores delongas, vamos aos álbuns!

plugue seu melhor headphone, aumente o som e divirta-se!

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B.R.M.C. – 2001

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o debut dos caras é recheado de uma pegada zeppeliana numa roupagem à lá the jesus and mary chain – e embora isso soe esquisito demais, acreditem: a mistura funciona! guitarras carregadas de distorção, uma bateria precisa (leia-se: sem solos masturbatórios), além de um baixo que efetivamente constrói a música sem parecer um mero coadjuvante na construção da identidade musical da banda;

destaques do álbum: love burns; whatever happened to my rock ‘n’ roll (punk song); white palms; spread your love

take them on, on your own – 2003

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o segundo álbum dos caras começou a tomar uma direção mais rock, menos folk e com um nível maior de psicodelia, com as letras trazendo inclinações políticas e discorrendo sobre mazelas sociais;

não é um dos meus álbuns favoritos da banda, mas as faixas destaque são realmente viscerais!

destaques do álbum: six barrel shotgun; we’re all in love; generation; rise or fall

howl – 2005

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o terceiro álbum da banda puxa o freio de mão da psicodelia e faz uma verdadeira declaração de amor à música gospel americana, ao folk e ao blues: apesar do som do álbum destoar de praticamente toda a discografia da banda, é em howl que percebemos a herança de peter hayes em relação ao the brian jonestown massacre, com ótimas composições ao violão folk, muita harmônica e backing vocals calcados no gospel;

destaques do álbum: shuffle your feet; ain’t no easy way; fault line; sympathetic noose; gospel song

baby 81 – 2007

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o álbum perfeito! vá lá, toda banda tem o seu próprio álbum perfeito… no caso do brmc, é, disparado, baby 81: abrindo cheio de estilo com a guitarra marrenta de “took out a loan”, o cd é recheado de canções marcantes que mesclam perfeitamente a psicodelia dos dois primeiros álbuns com o folk do terceiro; aqui as composições foram magistralmente costuradas de forma a construir um tecido homogêneo, com guitarras distorcidas dialogando com as cordas de aço do violão folk enquanto o baixo de robert arregaça as mangas e rouba a atenção com bases incríveis! se quiser entender o que é o brmc, ouça baby 81 do início ao fim!

destaques do álbum: todas… o que foi? quer dizer que tenho que escolher três ou quatro destaques? aah, que tarefa ingrata… bem, seriam elas: took out a loan; berlin; weapon of choice; not what you wanted

the effects of 333 – 2008

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tudo – T U D O – nesse cd está errado: a começar pela distribuição exclusiva via download pelo site da banda, passando pelo teor completamente instrumental das composições até chegar ao psicodelismo mais puro e absurdo, é um daqueles álbuns que toda banda precisa ter em sua discografia para dizer “bem, aprendemos muito com o fracasso de…”;

este é o caso de the effects of 333, que passaria fácil fácil como um grande solo psicodélico de 55 minutos do tame impala! se você conseguir entender esse álbum, por favor, poste os cogumelos que você está usando porque só o meu café aqui não conseguiu dar conta de tanta psicodelia!

destaques do álbum: nenhum – o álbum é realmente uma bosta!

(admita: você não estava acreditando que era assim tão ruim, né?)

beat the devil’s tattoo – 2010

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primeiro cd da baterista leah shapiro com a banda, aqui é perceptível o quanto o som do brmc amadureceu após a saída do baterista nick jago e do fiasco que foi the effects of 333;

as canções possuem uma musicalidade muito maior, além de uma pegada totalmente diferente que só podemos creditar à maior versatilidade da nova baterista (inclusive uma faixa do cd foi criminosamente incluída na trilha sonora do filme “lua nova”, da série crepúsculo, além de outras canções entrarem para a trilha do jogo nhl 11 e do filme need for speed);

os mais hipsters dirão “ah, mas que bosta, a minha banda desconhecida agora virou mainstream” – sim, hipsters, o brmc virou mainstream com esse cd! mas o mais legal é que os caras continuaram mantendo as principais características do grupo, que é rodar os circuitos underground, tocando em pequenos clubes e fazendo participações discretas em grandes festivais;

destaques do álbum: beat the devil’s tattoo; bad blood; evol; river styx

specter at the feast – 2013

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michael been (da banda “the call”), que até então vinha desempenhando o papel de técnico de som e de produtor e coprodutor do som do brmc, faleceu no meio da turnê de promoção do beat the devil’s tattoo;

um pequeno detalhe: ele era o pai do baixista, robert levon been, e praticamente um pai adotivo para peter (que chegou a morar junto com robert e michael por um tempo);

o cd acabou sendo a forma que os membros encontraram de superar a perda de michael e de continuar com o sucesso do último álbum, sendo que em specter at the feast o brmc encontrou sua maturidade musical com composições muito bem estruturadas e uma produção de som impecável;

destaques do álbum: let the day begin; hate the taste; teenage disease; sell it; loose yourself


e é isso, meus caros!

gostaram do som do brmc? curtiram o modelo do post? deixem seus comentários e sugestões para uma próxima análise de discografia – porque entre um gole de café e outro sempre há espaço para a boa música!

e falando em café, bora lá coar aquele maroto…

inmfc

4 comentários Adicione o seu

  1. AntimidiaBlog disse:

    então existe um mundo onde da para ter uma transa inteira?………haehaheaheha…………acho que os caras são da turma que tenta salvar o rock’n roll, mas soa meio adolescente……….e eu gosto de rock’n roll adolescente, hen!?……..talvez seja bom deixar claro que isso exclui Blink 182 e derivados……..vamos estabelecer como linha de corte o Nirvana ou Pearl Jam…………..

    Curtido por 1 pessoa

    1. Huahuahua, sim! Pois é, olhando fica a impressão de que é mais marra do que som, mas no caso do BRMC os caras realmente sabem o que estão fazendo! Não curto muito aquelas bad trips masturbatórias da geração revoltadinha do pós ’90 (você citou o Blink, e eu cito o Limp “Biscoito”). Afinal, não será uma banda morna que salvará o rock. Definitivamente. Também gostei da sua linha de corte para rock ‘n’ roll adolescente… Será que espremidinho lá no canto junto do Pearl Jam cabe um Alice In Chains e, se não for pedir muito, um Soundgarden? Huahuahua!

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      1. AntimidiaBlog disse:

        Alice in chains cabe com folga, mas aceitar o Chris Cornell não é fácil………ahehaheahehaheah……….

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      2. Alice In Chains já tá valendo, huahuahua!

        Curtido por 1 pessoa

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